
Treasure Hunter G
Treasure Hunter G é um jogo da Squaresoft lançado apenas no Japão para o Super Famicom (SNES), que gostei de chamar de meio a meio. Porque? Porque ele é meio JRPG, levando em conta exploração de mundo, e meio Tático, levando em conta seu sistema de combate. Mistura peculiar e nada nova, já que tem outros games assim no mercado, mas que incrivelmente funciona bem demais, pelo menos se tratando desse cara. Não vou deixar suspense nenhum no ar e já vou logo dizendo que gostei dessa PORRA PARA CARALHO!!! Puta que saudade que eu estava de jogar um game deste!! Square sua cambada de mal acabado, porque não fazem mais jogos que nem esse aqui? É nostalgia, aventura simples, personagens carismáticos, mundo que não faz sentido nenhum e jogabilidade que parece nos afagar os ovos bem levemente. É isso aqui em um domingo chuvoso e não preciso de mais nada para ser feliz. Alguma hora a gente tem que acertar uma também, nem só de tranqueira mal desenvolvida vive o homem! Amém!!
Ficha Técnica
| Publisher | Squaresoft (que fazia cada obra de arte nessa época, que cs não tem noção) |
| Desenvolvedor(es) | Sting Entertainment (que não tem nada haver com o The Police) |
| Diretor | Hiroyuki Ito |
| Produtor | Shinji Hashimoto |
| Designer | Hiroyuki Ito (gênio 1) |
| Artes | Shinichi Kameoka (gênio 2) |
| Músicas | Hitoshi Sakimoto (gênio 3) |
| Plataforma | Famicom (SNES) |
| Lançamento | 27 de Maio, 1996 (infelizmente, só na Japa) |
Resumão para não ficar perdido
Na baderna da vez, acompanhamos a dupla de irmãos Red e Blue que estão morando com seu avô que tem um relógio no estômago, já que o pai deles é um desnaturado que só quer saber de procurar tesouros, aventuras e por que não meretrizes. Novamente aberta a temporada de Pais do Ano!! Tudo está de boas na pacata vila onde o trio mora, até que um grupo de monstros ataca uma caverna, que esconde um tipo de máquina voadora, e tudo vira de pernas para o ar. É máquina danificada por um lado, vila sendo atacada com vovô indo de Vasco por outro e nossos manos tendo que ir atrás do infame Dad para saber o que está rolando com esse mundo desgraçado. Que o que tudo indica está sendo atacado por um tal de Dark Lord, que teve seu selo quebrado por um Hunter muito do descuidado e agora está selando fadas guardiãs desse mundo. Pois é, e também parece que para parar esse tranqueira existem 7 artefatos divinos que podem levar a uma tal árvore que pode ser a solução de tudo. É, eu sei, confuso pra caceta. A sorte dos nossos manos é que vão poder contar com a ajuda de uma loirinha chamada Rain e seu Mamaco Ponga, já que ambos parecem saber mais do que está rolando. O que não é sinônimo de facilidade, não entendam mal. Mesmo como um quarteto, a turma ainda vai passar poucas e boas enfrentando os lacaios do Dark e os perigos de um mundo onde um senhor ter um relógio na barriga é algo comum. Sabem que uma vez eu vi um caso onde um médico esqueceu uma tesoura na barriga de um cabra? Será que foi algo assim que aconteceu? Também vi um caso de um mano com uma lanterna no reto, mas acho que não é caso aqui, já que seria difícil chegar no estômago por essa via.

Lorota
As vezes é só disso que a gente precisa.
Sim, tem vezes que a gente não está querendo uma trama super complexa, densa e cheia de personagens cinzas. Às vezes tudo o que a gente está querendo é uma aventura mais bobinha, com um mundo super interessante de explorar e com personagens com carisma de mais de 8 mil. Às vezes a gente até precisa disso!! E acaba encontrando em jogos menos famosos e menos pretensiosos, como Treasure Hunter G. Meus amigues, foi receber a intro com o livro da imagem acima para o meu coração gelado de Bostileiro médio se aquecer. A parada é uma aventura da mais simples possível. É encontrar 7 coisas que vão derrotar o mal que está zoando o mundo. E é nessa simplicidade que a gente se afeiçoa aos personagens e ao mundo doido que entramos. Falta de fato mais aprofundamento na personalidade dos nossos manos. Eles são estereótipos e arquétipos simples. É o menino corajoso, o menino medroso, a menina fofinha empática e o bichinho de estimação que faz bagunça. Mesmo assim, o carisma de suas ações nos ganham, ao ponto de ficarmos com olhos marejados em diversos momentos. Não precisa um texto super elaborado para a gente sentir que essa turma faz parte da nossa vida e vão fazer falta quando tudo se encerrar. É, às vezes o simples funciona e funciona bem. Outra coisa que funciona bem é o humor da trama. Mesmo sendo um escritor de bobajada na internet, não sou uma pessoa fácil de se tirar uma gargalhada. Algo que aconteceu em Treasure em diversos momentos. Puta, eu ri de cada uma das tolices que esse mano apresenta. Eu ri de NPC reclamando que não batemos na porta ao entrar na casa, de NPC cobrando pagamento nas lojas, de NPC chateado por termos bagunçado sua cama, de NPC pedindo para devolver os únicos 5 pilas de suas economias e principalmente da forma que nossos amigos acordam depois de passar uma noite em algum INN de alguma cidade. Sim, é tudo bobeira, mas me pegou. Fazer o que se esse ar descontraído combina bem com a trama mais leve? Eu nem tenho força para reclamar de nada, tamanha a quebra de pernas que esse esquema me deu. Não vou reclamar de aprofundamento em motivação de vilão, de NPC jogado e nem de tramas que não levam a nada. Só vou salientar o quanto tudo isso aqui me deixou feliz. Fiquei tão feliz que nem dei bola para umas coisas manjadas, tipo o cientista maluco que ajuda a turma. Também fui surpreendido com o plot twist que vem no final e que me enganou direitinho. Só não dei nota máxima por um único e exclusivo motivo: Bone Dino. Puts, a mega arma que vai destruir o mundo se chamar Bone Dino é o meu ovo. Um T-Rex é assustador, eu sei, mas se tratando de um mundo fantasioso onde normalmente o vilão é um Deus corrompido cheio de tentáculos prontos para arregaçar o seu furico, aí já é palhaçada. Sim, besteira isso, eu sei. Só queria não perder minha fama de reclamão dando nota máxima fácil. No final gostei para caramba desse mundinho divertido e que pena que não tivemos mais continuações.
NOTA: 2.4

Playada
Não é perfeito, mas diverte demais.
Como já comentei, esse maninho aqui é 2 em 1. No caso JRPG e Tático. Sendo assim vou quebrar a parada dessa forma, até porque em um estilo ele dá aula e no outro nem tanto. Não que seja ruim, mas poderia ser levemente melhor. Calma, vocês vão me entender. Começando pela parte de JRPG a parada dá aula. Em termos de exploração a coisa é o fino do fino. Mapas com design interessante, no tamanho certo e puzzles que não precisa ser um menino gênio do Soletrando. Fico muito contente quando o jogo não me deixa perdido e sem pegar na minha mão indica onde ir. Sendo com caminhos fechados, com inimigos de nível alto ou simplesmente colocando algo interessante no caminho que vai me fazer querer ir ao local certo. Aqui vamos ter o famoso mapa mundo navegável, lojinhas para comprar tranqueiras e inimigos visíveis no mapa. Coisas que para mim fazem um JRPG serem foda. Se tivesse que reclamar de algo nesse ponto, não que esteja fazendo isso, longe de mim, seria mais em relação a algumas poucas besteirinhas. Tipo o gerenciamento de itens e equipamentos misturado, as lojinhas fazerem pegar os itens no chão tendo que resetar a tela para pegar algo repetido e a única mecânica de exploração ser o soco destrutivo de Red. Como disse, besteirinhas que não fariam o jogo perder o 10/10. Até porque como já disse, o que faz perder é o sistema de combate. Que consiste em movimentar e realizar ações com os personagens em um grid levando em consideração seus pontos de movimentação mais o custo de ação. Por exemplo, quanto mais perto do inimigo seus manos estão, mais caro será para se movimentar ao redor ou atacar o capiroto. Sim, padrão comum em jogo tático, mas com um temperinho de ter cores que deixam mais claro o custo das coisas. Verde você gasta 1 e vermelho 16, por exemplo. Não que isso seja fixo, que quanto mais treta a coisa fica, mais custa para fazer as paradas. Na dúvida, também dá para ver no canto inferior, pois além das cores tem uma legenda. Sim, não é para deixar dúvida. Outras coisas padrões em jogo tático que dá para citar é movimentar e realizar ações em 8 direções, ter itens espalhados no grid para serem consumidos ao pegar, ganhar XP a cada ação tomada e recuperar minimamente o HP depois das lutas. Tudo isso muito bem implementado e divertido. O problema real são algumas qualidades de vida que deixam o sistema levemente datado. Como por exemplo, não poder girar o mapa ou ter uma visão mais ampla do geral. Muitas vezes contra inimigos grandes, você vai acabar não sabendo em qual quadrado seus personagens estão ou para onde estão virados, o que vai fazer você errar o golpe ou até acertar um aliado. Não que seja problema fogo amigo, só é chato quando no final você acabou o fazendo por não ter noção real do espaço. Outro exemplo de qualidade de vida é você não poder cancelar a movimentação ou ataque, já que o jogo não abre um menu para executar essas ações e deixa para ser em tempo real. O jogo ficou mais fluido e gostei do ritmo, mas confesso que abriria mão desse dinamismo para ter mais controle. Ainda mais sabendo que você leva mais dano se estiver de costas para os inimigos. Poxa, podiam pelo menos ter implementado esse step de mudar para onde seu mano está apontando antes de encerrar o turno. Não foi uma nem duas vezes que acabei ficando com a bunda na janela, por tentar usar o máximo de ações que podia na minha vez. Também acredito que poderiam existir mais combates diferenciados, no caso, sem ser só derrotar todos os inimigos. Existem combates com condições, tipo não mate inimigo X ou mate apenas inimigo Y, que acredito que poderia ter sido mais usados. Meio que era uma forma de ter combates puzzles e a coisa ficaria ainda mais bacana. E é ainda mais, pois no frigir dos eggs, tudo é sim bacana para caramba e posso dizer que não fiquei em nenhum momento de saco cheio. A parada é tão redonda que nem precisa meter farm. Os inimigos chegam a quase não dar respawn para terem uma noção. A parada só não ganha nota máxima, pois acredito que poderia ser melhor com essas coisinhas que salientei, do fundo do coração.
NOTA: 2.3

Barulhama
Isso aqui é obra de arte.
Eu imagino que quem se atreve a abrir um site que nem esse daqui deve saber da fama que a Square tem se tratando de trilha sonora. Os caras são simplesmente sinônimos de excelência nesse quesito e nunca decepcionam. Dito isso, o que acham que acontece aqui? Se respondeu que perderam a mão, só pode estar maluco e deve ir atrás de ajuda médica. É claro que os caras não erraram aqui e puta que me pariu que trilha sonora maravilhosa. Eu não consigo nem conceber como conseguiram colocar tantas músicas diferentes para rodar em um cartucho. E uma mais foda do que a outra. Não temos músicas super memoráveis, eu confesso, mas todas passam o clima certo no momento certo. Se você se sente acolhido, aconchegado e super bem vindo para explorar esse mundo de aventuras, pode ter certeza que muito disso é devido a trilha. Vão tomar no cu, Square o que vocês fizeram aqui? Estava até pensando em pular o quesito trilha das resenhas, já que normalmente sou repetitivo, mas esse tipo de trabalho de som faz a coisa mudar de cenário. Todo o trabalho de som da parada dá pau em jogos mais novos e vou ter que parar por aqui senão vou ficar mal falado por aí. Só posso encerrar o quesito dizendo, que doideira!!
NOTA: 2.5

Batom no Porco
Como que pode?
Como que pode, sprites em 2D com meia dúzia de pixels serem tão expressivos como esses de Treasure Hunter? Como que pode? Como? Me expliquem uma coisa dessas!! Eu enchi os olhos de lágrimas com esses mesmos bonequinhos da cena abaixo. Um total contrassenso. Tem jogos atuais com captura de movimento, ator de Hollywood, tela verde e os caralhos que não fazem isso. Sério manos, estou perprecto aqui e totalmente consternado do meu rabo. Obviamente que eu sei a resposta para essa minha dúvida e resumindo a coisa chegamos simplesmente em um direção de arte excelente. Dá para ver de longe que a parada é feita com carinho, com paixão e querendo ser algo a mais. Muito longe desse monte de coisas genéricas que temos hoje em dia. Sem alma, sem vontade de mexer com as pessoas e feito apenas para farmar grana para acionista. Treasure tem sprites super expressivos, mapas cheios de detalhes, inimigos memoráveis e ainda uma abertura digna de games de PS1. Tem muito palette swap, eu sei, mas nada que tire o brilho da coisa. Puta, esse cara realmente me deixou de guarda baixa. Chego a nem me reconhecer direito.
NOTA: 2.5

Fator Nostalgia
Uma grande pena.
Nunca tinha ouvido falar desse cara até um amigo (e seguidor) me apresentar e que puta dor no coração me dá dizer uma coisa dessas. Puta, eu dava meu olho esquerdo para poder voltar no tempo, conhecer esse cara e assim ter nostalgia com ele. Na moral, manos, mais gente tem que conhecer esse titulo. Sei que parece absurdo, mas esse cara, para mim, bate de frente com outros grandes RPG’s da Square de mesma época, como Final Fantasy 6 e Chrono Trigger. Sério, esse cara é maravilhoso, lindo, um tesão e deveria fazer um filho em mim. Falei, a coisa me pegou de jeito e hoje foi só babação de ovo.
NOTA: 0.0
Por que perder tempo com essa bosta?
Porque é um jogaço do caralho e que deveria ser mais apreciado para receber o devido valor. Ele tem um mundo interessante, uma trama que se sustenta, um grupo de personagens carismáticos, uma trilha sonora absurda, uma arte supra sumo do que dá para entregar com pixel art e uma jogabilidade, que mesmo não sendo perfeita, é redondinha redondinha. Na moral, confia no pai, que o pai não é emocionado. A parada é boa e só não chegou no 10 por detalhe. Dizer para vocês que na Austrália a parada já deve estar no 10, hein!!
Por que não perder tempo com essa bosta?
Não vejo motivo. Sério, não vejo motivo. Mesmo se você não gosta de JRPG, de game tático, de game velho ou da Nintendo, tem que jogar essa parada aqui. Manos, esse carinha aqui é uma das coisas mais divertidas que joguei nos ultimos 10 anos. O que não faz um final de geração, né mesmo? A galera já sabia todas as mazelas do desenvolvimento para SNES e colocou a pica inteira sem dó e lubrificante. A parada vale a pena e chega disso que eu mesmo já estou me estranhando. Vou ter que xingar muito o próximo game do blog, se não vou perder a essência da coisa.
Avaliação da Playada
| Tempo de Jogo | 27:27:00 (e foi pouco, poderia ser 3x, 4x ou 5x mais que isso e não ia me importar) |
| Save State | 0 |
| Detonado | 1 (teve um bauzinho só, coisa pouca) |
| Trapaças | 0 |
| Game Over | 1 (me pegou de guarda baixa uma vez) |
| Zeramento | sim |
| 100% | não Frog Cassino (minigames de ritmo que passei reto) Pós-Game (dava para ter feito umas coisas após matar o chefe final) |
| Resultado |
Avaliação do Querido
| Lorota | 2.4 |
| Playada | 2.3 |
| Barulhama | 2.5 |
| Batom no Porco | 2.5 |
| Fator Nostalgia | 0.0 |
| Total | 9.7 |
| Dificuldade | aqui a prioridade é se divertir |
| Resultado | |
| Conclusão | um grande jogo, que está injustamente esquecido e merecia muito mais reconhecimento |